03/11/2011

"Alívio..."



Semana passada, eu realmente senti tudo o que eu mais queria sentir. Não era aquela sensação de felicidade, de amor, de borboletas no estômago. Foi uma sensação de alívio, de missão cumprida. Ter visto você me fez tirar um peso gigantesco da consciência. Quando meus olhos pousaram sobre sua pele - aquela pele que já me fez arrepiar e delirar ao sentir as melhores sensações que alguém já me fez sentir – eu nada vi.

Que alívio! Até o abraço, que era o que eu mais temia, mostrou que você não era mais o mesmo. Mas será que o problema era você ou eu? Será que foi você que desaprendeu a forma exata de abraçar? De me abraçar? Ou será que o diferente veio de minha parte? É, acho que a sensação de certeza estava se tornando cada vez mais concreta. A única coisa que ainda era a mesma em você era o teu cheiro e, acredite, caro leitor imaginário, o cheiro natural que vinha de você e que me convidava, dessa vez me fez sentir diferente.

Tua voz mudou, era uma voz mais rouca. Sua boca estava seca. A pele de suas mãos estava grossa, suada e fria. Sua pele estava pálida. Até seu sorriso estava diferente, parecia que você estava desconfortável ao me ver alí, já que eu estava em um patamar completamente diferente do teu. Era como se você também tivesse medo do que poderia acontecer, do que nós poderíamos vir a falar naquela mesa, cercados de pessoas desconhecidas e que nada sabiam do que diziam nossos lábios. Mesmo sabendo que aquele não foi um encontro para falar sobre nós... Hunf, nós.

Quem erámos nós? O que restou dos “nós” que nosso laço formava? Você me fez desacreditar de absolutamente tudo o que nós fomos um dia, de todas as coisas lindas que eram ditas até mesmo por nossos olhares quando se cruzavam. Isso se deu na sua forma de agir, de falar e de parecer não sentir tudo isso que eu sei que você ainda sente. Eu sentia toda vez que eu te via que eu amava você e essa foi a primeira vez que isso não aconteceu.

A certeza que eu tinha do medo da maneira que eu reagiria ao te ver, transformou-se na certeza de que hoje eu tenho um coração livre, que criou asas e está absolutamente isento do sentimento que me prendia a você. Além da amizade, a única outra coisa que quero de você é o bem: o seu bem e ver você bem... Bem longe de mim.

“Rindo, tô que nem criança,
Tô de alma limpa.
(Ouro Pra Mim – Renata Arruda)