31/08/2011

"Capacidade de mudar..."



“Eu tentei, deixei meu coração na sua mão. 
Descobri que o nosso amor foi pura ilusão”.
(Sandy e Júnior - Adeus)


O que me levou a crer em você novamente? Eu que sempre soube de tudo. Acho que fui levado pela música que tocava baixinho no meu celular, enquanto era ofuscado pelo brilho incansável dos seus olhos, absurdamente imbatíveis diante da meia luz do quarto, enquanto ouvia você dizer pra mim cada palavra que era cantada naquele trechinho de “Hey, Soul Sister”, enquanto me pedia uma segunda chance. Concedi.

O que me levou a deixar acontecer novamente? Eu que sempre fui mais forte. Nunca havia dado uma segunda chance a ninguém. Até mesmo com amigos isso nunca tinha acontecido. Você me fez acreditar que seria diferente, que você havia mudado e que as coisas que desencadearam o – até então – último término, não aconteceriam novamente. As cartas estavam na mesa, na cama, whatever. Tudo havia sido explicado. Aceitei.

Dias passaram. Esses dias tornaram-se meses e essa temporada ao seu “lado” me fez perceber que você não mudou. Você não vai mudar. E todas essas coisas que permeiam em sua cabeça também não vão mudar, ou mudar você. “Mudança” é uma palavra que não se encaixa em seu mundo. A não ser que ela seja devidamente destinada à intenções de mudar a pessoa que está com você.

E – olha que curioso – você conseguiu! Parabéns pra você que me fez mudar de ideia! Fostes tão forte em impor teu ponto de vista que conseguiu me fazer voltar atrás mais de uma vez. É... e eu que pensei em lhe dar uma terceira chance, hein? Só que a dor foi tão grande que eu voltei um pouco atrás demais, mais do que você esperava.

Você pode dizer que sente muito, que não sabe o que fez e que ainda existe amor dentro de ti, mas a única coisa que eu posso fazer é assentir. Assinto, mas não sinto. Não “sinto muito” por você. Por você não sinto nada. Você não se importou nem em ligar pra dizer que não viria, porque eu deveria ligar pra qualquer coisa que seja relacionada a você? Sou mais forte que isso, você verá. Pode até ter mesmo mudado, mas meu eu, não seu, será.

18/08/2011

"Amar é..."


Enquanto aproveito de mim mesmo, assim como você também o fez, ouso escrever de mim, de minha dor e sofrimento, nessa madrugada, atormentado por uma infeliz insônia. Mas também ouso escrever da falta de coerência em suas palavras, ou, da minha falta de noções de percepção em associá-las quando o assunto era você.

Sem rodeios, lembro que você disse que iria me amar para sempre. Realmente, à sua forma, você me amou. Você me ama, não é mesmo? Esqueci que isso foi dito na penúltima vez que nos vimos. Engraçado como é fácil “amar” pra você. Amar, na sua particular versão do que é amor, é dizer que ama. Mas, venho por meio deste, informa-lo que amar é outra coisa.

Amar é viver, é respirar. Amor é um abraço de tirar o fôlego, é um sorriso que brilhe tanto quanto, ou mais, que o raiar do Sol. Amar é sentir falta, é sentir saudade. Amar é mandar mensagem, é ligar no meio da madrugada só para ouvir a sua voz. Amor é ouvir uma música e lembrar você a cada acorde tocado, é ler um texto sem sentido, como esse, e imaginar que foi feito por uma pessoa que tem sentimentos e não se reprime em expressá-los.

Amor é o que eu sinto, é o que eu queria que você sentisse. Amor é esse sentimento que me faz arrepiar apenas por sentir vontade de grudar na tua mão, caminhar com você, conversando, dando risadas e deixando todo mundo com inveja do casal lindo que nós formávamos quando estávamos juntos.

Na verdade, amar é algo que dói, que machuca, que tira o sono. Amor é sentimento forte que faz sangrar. Amor é algo que faz chorar, que faz você se sentir excluído e inferior. Mas isso só acontece quando pessoas como você não sabem fazer as coisas da maneira certa. Porque se você realmente me amasse, ou já tivesse amado alguém na vida, eu não estaria vendo uma brecha do sol entrar por minha janela, essa madrugada. Amor é o que eu não quero mais sentir, pelo menos não mais por você, porque não faz mais sentido. 

11/08/2011

"True blood..."




"Se nós nas travessuras das noites eternas 
Já confundimos tanto as nossas pernas 
Diz com que pernas eu devo seguir
(Eu te amo - Chico Buarque)




Minha gengiva está sangrando. Eu percebi isso enquanto comia. Isso acontece porque, quando fico nervoso, passo a língua repetidas vezes no céu da boca. Na verdade é o céu da boca que está ferido. Foram poucas as vezes em que percebi que poderia desgastar o tecido da parte de cima da língua, com a língua, a ponto de feri-lo.

Hoje, durante a aula, me peguei sete vezes passando a língua na ponta dos dentes. Acho que o céu da boca não estava mais me proporcionando a sensação que preciso sentir...

E, dessa forma, nessa madrugada, percebi que sempre opto por procurar algo mais forte que eu, que me proporcione sensações mais fortes e mais instigantes, quando as outras acabam se tornando cômodas a mim. Enquanto digito cada uma dessas letras, lentamente, para não acordar ninguém, ao som dessa música melancólica, questiono-me se posso relacionar tudo isso a você.

Eu só queria entender o que estava acontecendo. O que se passava em sua cabeça, em seu coração, em seus pensamentos, nos últimos dias. Agora, não obtenho resposta nem mesmo de mim. Não entendo o que se passa dentro de mim. Persistem em meu corpo essa inconstante dúvida, essa inquietude nas pernas, esses batimentos acelerados e, como consequência disso, ferimentos no céu da boca. Boca, essa, que já lhe disse as coisas mais lindas que já ouviu, que já te fez chorar, que tocou a sua e fez seu sangue pulsar extremamente mais forte em suas veias, levando seu sangue à lugares que lhe proporcionou as melhores sensações da sua vida.

Mas, antes que o dia amanheça, me pergunto se lhe interessa saber para onde está indo o sangue que pinga em boca por sua causa. Diz pra mim se o sangue que estou perdendo, por consequência das coisas que foram ditas por ti a mim, faz alguma diferença em sua vida?